A Europa cresce menos que os EUA, o Japão também.
Em seu mais recente livro Baumol (escrito junto com Robert Litan e Carl Schramm) apresenta algumas razões para o aparente fracasso das economias do velho continente e do Japão. Good capitalism, bad capitalism, and the economics of growth and prosperity identifica 4 tipos diferentes de capitalismo. Segundo os autores a Europa e o Japão são exemplos de “big-firm capitalism”, isto é, têm suas economias dominadas por grandes empresas, que são basicamente as mesmas empresas desde os anos 60. Já os EUA, seriam uma mistura de Big-firm, com “entrepreneurial capitalism” As grande empresas dos EUA hoje não são as mesmas empresas que dominavam os rankings na década de 60 (algumas, é óbvio, ainda se mantém).
Segundo os autores, o Big-firm não incentiva a inovação. As grandes empresas raramente promovem inovações radicais, mas fazem apenas inovações incrementais. O grande problema não são as firmas já estabelecidas, mas sim o sistema que foi criado nessas sociedades. O sistema financeiro foi desenvolvido beneficiando grandes empresas e não pequenas e novas empresas. A cultura de venture capital nessas duas regiões do mundo é muito inferior ao que se percebe nos EUA.
Além disso, a Europa possui sérios entraves à inovação, por exemplo, altos impostos para manter sustentar um sistema de seguridade social que também limita a inovação. Os generosos sistemas de seguro-desemprego da Europa tirariam a vontade de um desempregado abrir um negócio. Outro grande problema é a dificuldade de demitir empregados na Europa, fazendo com que pequenas empresas não venham a existir, ou migrem para os EUA ou para o Reino Unido.
O Japão possui problemas semelhantes, talvez o principal deles seja o acordo tácito entre empregadores e empregados. Os empregados geralmente trabalham a vida toda na mesma empresa, sendo difícil para um trabalhador que resolva pedir demissão para abrir seu próprio negócio e nele não obtenha sucesso, recolocar-se no mesmo patamar em que antes estava.
Os autores explicam boa parte do crescimento dessas duas regiões do mundo desde o fim da guerra até os anos 80-90 com ajuda de idéias de Phelps. O nobel de 2006 acredita que a Europa e o Japão tenham se desenvolvido em parte graças à importação de tecnologia e conseqüente produtividade dos EUA, (é claro que aqueles países têm muitos méritos próprios) isto é, aqueles países ainda perseguiam a fronteira tecnológica, uma vez que ela foi atingida foi difícil manter-se a par dos EUA.
Outros fatores são muito importantes para explicar a estagnação da Europa e do Japão. No Japão, por exemplo, a crise bancária dos anos 80, que foi causada em grande parte pelo sistema antes citado de favorecimento de grandes empresas. Na Europa pode-se colocar a unificação alemã ou mesmo os custos da unificação do bloco, custos esses não apenas monetários, mas esforço intelectual e perda de liberdade em termos de políticas econômicas dos países (apesar de que pode-se argumentar que a União seja benéfica).
Inovação continua sendo a chave para o crescimento econômico, ou seja, é necessário que a população possua um espírito empresarial, que segundo os autores constitui a vantagem comparativa dos EUA em relação ao resto do mundo.
Alguns pontos importantes:
1)“Inovação” nesse texto refere-se a invenções ou melhoramentos que são comercializáveis, não apenas registros de patentes. Alguns países europeus e o Japão apresentam um número bastante elevado de patentes registradas, porém talvez elas sejam menos comercializáveis que as americanas.
2)O número de trabalhadores autônomos (em %da população total) é maior no Japão e em quase todos os países europeus que nos EUA, porém como defendem os autores, os autônomos japoneses e europeus estão mais envolvidos
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
A perdição dos secadores em 2008
Caros secadores, escrevo esse post alertando-os que o ano que acabou de se iniciar será terrível para os senhores. O maior motivo de alegria de vocês nos últimos anos está acabando. Os secadores vão perder mais uma.
Ok, o começo do post não está claro, melhor explicar de quem estou falando. Secadores são um grupo dos leitores de Marx e órfãos do muro que dizem ter desistido do comunismo, em lugar disso passaram a secar o capitalismo(alguns continuam tendo esperança no comunismo, mas secam mesmo assim). Claro que o alvo maior da secação são os EUA. É fácil identificar secadores, eles adoram vender a idéia de que o mundo está cada vez pior, adoram fotos de crianças africanas morrendo de fome, apoiam qualquer um que se opuser aos EUA(Bin Laden, Saddam Hussein, Chavez, etc). Para eles o efeito estufa é uma coqueluche, cada vez que vêem um gráfico com aumento da temperatura média e outro que culpa o capitalismo por isso, essas pessoas chegam perto do orgasmo. A felicidade vem sempre que algo dá errado no mundo, especialmente quando é possível culpar o capitalismo e os EUA por ela.
É bom deixar um ponto claro. Eu acho ótimo que pessoas se preocupem com a natureza, não é essa a minha crítica, o problema é que os secadores de quem falo não estão nem aí pra natureza, eles festejam o que está dando errado. Ninguém fez atrocidades maiores com a natureza que os comunistas. Stálin desviou um rio que até hoje está acabando com um mar interno na Rússia. A natureza só vale enquanto estiver com problemas e der pra culpar o capitalismo por eles.
Tendo explicado quem são os secadores, passo agora aos motivos pelos quais 2008 será um ano triste para eles. O primeiro é que o que mais deu felicidade nos últimos anos foi o Iraque e agora a paz está chegando lá. Claro que na mídia brasileira isso não aparece, não é uma notícia popular em um país de secadores. Mas dêem uma olhada nesse site http://icasualties.org/oif/, desde o meio de 2007 o número de mortes só cai. Para mim isso é uma ótima notícia. Para os secadores é o inverso, eles não estão nem aí pra vida dos iraquianos e dos americanos, falar mal da guerra, do Bush, dos EUA, do petróleo tem um valor muito grande pra eles. E em 2008 é uma coisa que eles vão perder.
Outra coisa que os secadores adoram é ver empresas americanas indo mal. Quando a Airbus passou a Boeing foi um surto de felicidade, eles entenderam como a UE passando os EUA como potência hegemônica, ficaram radiantes. Agora o que ocorre é que a Boeing tomou a dianteira novamente e o 787 dreamliner, que será lançado esse ano já é considerado extremamente bem sucedido. Do lado europeu, o badalado A380, é considerado um fracasso(ao menos em relação à expectativa que se tinha dele).
O efeito estufa é outra alegria que possivelmente os secadores vão perder. Primeiro porque as empresas estão desenvolvendo produtos cada vez menos poluentes. Entre os carros, o avanço é fantástico. Pior ainda pros secadores: é nos EUA que isso mais se desenvolve. Além disso, estudos recentes estão abalando a idéia da culpa do C02 nesse processo. É provável que a culpa não seja nossa, muito menos do capitalismo. Aí o problema fica maior, porque se a culpa não for nossa, não saberemos como resolver. Mas isso não interessa pros secadores, o que vale é dizer que a culpa é do Bush.
A esperança de alegria pros secadores é Pequim. Eles vão secar os EUA em tudo que puderem. Vão se enrolar na bandeira chinesa, vão enlouquecer torcendo no ping pong. Se a China não vencer, o ano estará completamente perdido. Talvez o Michael Moore faça um filme de consolação.
Ok, o começo do post não está claro, melhor explicar de quem estou falando. Secadores são um grupo dos leitores de Marx e órfãos do muro que dizem ter desistido do comunismo, em lugar disso passaram a secar o capitalismo(alguns continuam tendo esperança no comunismo, mas secam mesmo assim). Claro que o alvo maior da secação são os EUA. É fácil identificar secadores, eles adoram vender a idéia de que o mundo está cada vez pior, adoram fotos de crianças africanas morrendo de fome, apoiam qualquer um que se opuser aos EUA(Bin Laden, Saddam Hussein, Chavez, etc). Para eles o efeito estufa é uma coqueluche, cada vez que vêem um gráfico com aumento da temperatura média e outro que culpa o capitalismo por isso, essas pessoas chegam perto do orgasmo. A felicidade vem sempre que algo dá errado no mundo, especialmente quando é possível culpar o capitalismo e os EUA por ela.
É bom deixar um ponto claro. Eu acho ótimo que pessoas se preocupem com a natureza, não é essa a minha crítica, o problema é que os secadores de quem falo não estão nem aí pra natureza, eles festejam o que está dando errado. Ninguém fez atrocidades maiores com a natureza que os comunistas. Stálin desviou um rio que até hoje está acabando com um mar interno na Rússia. A natureza só vale enquanto estiver com problemas e der pra culpar o capitalismo por eles.
Tendo explicado quem são os secadores, passo agora aos motivos pelos quais 2008 será um ano triste para eles. O primeiro é que o que mais deu felicidade nos últimos anos foi o Iraque e agora a paz está chegando lá. Claro que na mídia brasileira isso não aparece, não é uma notícia popular em um país de secadores. Mas dêem uma olhada nesse site http://icasualties.org/oif/, desde o meio de 2007 o número de mortes só cai. Para mim isso é uma ótima notícia. Para os secadores é o inverso, eles não estão nem aí pra vida dos iraquianos e dos americanos, falar mal da guerra, do Bush, dos EUA, do petróleo tem um valor muito grande pra eles. E em 2008 é uma coisa que eles vão perder.
Outra coisa que os secadores adoram é ver empresas americanas indo mal. Quando a Airbus passou a Boeing foi um surto de felicidade, eles entenderam como a UE passando os EUA como potência hegemônica, ficaram radiantes. Agora o que ocorre é que a Boeing tomou a dianteira novamente e o 787 dreamliner, que será lançado esse ano já é considerado extremamente bem sucedido. Do lado europeu, o badalado A380, é considerado um fracasso(ao menos em relação à expectativa que se tinha dele).
O efeito estufa é outra alegria que possivelmente os secadores vão perder. Primeiro porque as empresas estão desenvolvendo produtos cada vez menos poluentes. Entre os carros, o avanço é fantástico. Pior ainda pros secadores: é nos EUA que isso mais se desenvolve. Além disso, estudos recentes estão abalando a idéia da culpa do C02 nesse processo. É provável que a culpa não seja nossa, muito menos do capitalismo. Aí o problema fica maior, porque se a culpa não for nossa, não saberemos como resolver. Mas isso não interessa pros secadores, o que vale é dizer que a culpa é do Bush.
A esperança de alegria pros secadores é Pequim. Eles vão secar os EUA em tudo que puderem. Vão se enrolar na bandeira chinesa, vão enlouquecer torcendo no ping pong. Se a China não vencer, o ano estará completamente perdido. Talvez o Michael Moore faça um filme de consolação.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Futuro otimista
Uma boa e uma má notícia otimista quanto ao futuro.
1º, a boa: em 1960 a renda per capita do Brasil era 19,32% da dos EUA. Mantidas as mesmas taxas de crescimento em 2040 a renda per capita brasileira será equivalente a 24,14% da americana.
Agora a má: em 1960 a renda per capita do Brasil equivalia a 109,75% da de Cingapura. Mantidas as mesmas taxas de crescimento dos últimos 40 anos, em2040 a renda per capita brasileira será equivalente a 5,55% da de Cingapura.
OBS 1: Cálculos acima são ceteris paribus, é claro.
OBS 2: O "otimista" é por supor que o Brasil vai crescer à mesma taxa dos últimos 40 anos (2,81%a.a).
É como diz um professor, "vocês serão pobres e os filhos de vocês miseráveis"
1º, a boa: em 1960 a renda per capita do Brasil era 19,32% da dos EUA. Mantidas as mesmas taxas de crescimento em 2040 a renda per capita brasileira será equivalente a 24,14% da americana.
Agora a má: em 1960 a renda per capita do Brasil equivalia a 109,75% da de Cingapura. Mantidas as mesmas taxas de crescimento dos últimos 40 anos, em2040 a renda per capita brasileira será equivalente a 5,55% da de Cingapura.
OBS 1: Cálculos acima são ceteris paribus, é claro.
OBS 2: O "otimista" é por supor que o Brasil vai crescer à mesma taxa dos últimos 40 anos (2,81%a.a).
É como diz um professor, "vocês serão pobres e os filhos de vocês miseráveis"
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Homem na lua mas fome na África
Semana passada escutei a seguinte frase na aula: O homem chegou na lua, explora o espaço mas existe fome na África". Não veio de uma economista. UFA! Mas os estudantes(do bem) de economia bem sabem que seus colegas e professores muitas vezes dizem bobagens como essa. A frase foi proferida por um sujeito com um background* de anti-americanismo e anti-capitalismo. Ou seja foi de uma certa maneira uma crítica aos EUA e talvez à Europa.
Bem, o sujeito demonstrou que sofreu lavagem cerebral nos seus tempos de escola. Se o homem não explorasse o espaço haveria fome mundo todo. Não que os estadunidenses tenham achado comida na Lua. Mas sim que eles ficaram ricos devido à inovações tecnológicas, nessa inovações a indústria aeroespacial tem um papel importante. É parte do processo de crescimento capitalista inovar, já nossos irmãos soviéticos não acreditavam nisso. Inovaram em algumas áreas é verdade, o cálculo da "viagem mais eficiente à Lua" foi desenvolvido tanto pelos americanos quanto pelos soviéticos até onde sei. Bem, já fugi um pouco do tema, mas a tentação de falar (mal) da URSS é forte.
Voltando ao ponto da inovação. Se os americanos não tivessem estudado por nós, seriamos todos uma África. GOD BLESS AMERICA. Ok foi uma piadinha. Seriamos todos uma URSS, hum, acho que não.
Os países que inovaram, em alguma medida erradicaram a fome, obviamente não é a única razão do progresso, mas é importante.
Outro ponto importante é ser capitalista. Como dito acima, a URSS inovou, AK, Kalschnikov e demais armamentos com "K". Demorou pro governão ver que ninguém come bala(de arma), só os inimigos da revolução. Pelo lado bom, sobrou papel higiênico. A população não entendeu que alguma coisa poderia sobrar. O preço claro que não caiu, após o heróico ato de 1917 da abolição das malditas leis de mercado ianques.
Mais uma vez fugi do ponto.
Enfim.
Pobreza na África é falta de capitalismo.
Atenção aos marxonuts: não estou defendendo que deva existir fome na África, pelo contrário, quero que ela termine logo. Assim todos saem ganhando, os africanos melhoram de condição e vocês param de falar tanta bobagem.
*Sim, sou um vendido! Estou a abandonar meu tupi guarani pela língua do demo.
PS. A pedido fiz um post sem gráficos e números. No próximo eles voltam.
Bem, o sujeito demonstrou que sofreu lavagem cerebral nos seus tempos de escola. Se o homem não explorasse o espaço haveria fome mundo todo. Não que os estadunidenses tenham achado comida na Lua. Mas sim que eles ficaram ricos devido à inovações tecnológicas, nessa inovações a indústria aeroespacial tem um papel importante. É parte do processo de crescimento capitalista inovar, já nossos irmãos soviéticos não acreditavam nisso. Inovaram em algumas áreas é verdade, o cálculo da "viagem mais eficiente à Lua" foi desenvolvido tanto pelos americanos quanto pelos soviéticos até onde sei. Bem, já fugi um pouco do tema, mas a tentação de falar (mal) da URSS é forte.
Voltando ao ponto da inovação. Se os americanos não tivessem estudado por nós, seriamos todos uma África. GOD BLESS AMERICA. Ok foi uma piadinha. Seriamos todos uma URSS, hum, acho que não.
Os países que inovaram, em alguma medida erradicaram a fome, obviamente não é a única razão do progresso, mas é importante.
Outro ponto importante é ser capitalista. Como dito acima, a URSS inovou, AK, Kalschnikov e demais armamentos com "K". Demorou pro governão ver que ninguém come bala(de arma), só os inimigos da revolução. Pelo lado bom, sobrou papel higiênico. A população não entendeu que alguma coisa poderia sobrar. O preço claro que não caiu, após o heróico ato de 1917 da abolição das malditas leis de mercado ianques.
Mais uma vez fugi do ponto.
Enfim.
Pobreza na África é falta de capitalismo.
Atenção aos marxonuts: não estou defendendo que deva existir fome na África, pelo contrário, quero que ela termine logo. Assim todos saem ganhando, os africanos melhoram de condição e vocês param de falar tanta bobagem.
*Sim, sou um vendido! Estou a abandonar meu tupi guarani pela língua do demo.
PS. A pedido fiz um post sem gráficos e números. No próximo eles voltam.
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