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terça-feira, 24 de maio de 2011

Árvores X Todas As Coisas Que Comemos

Os que defendem a recuperação das florestas serão os primeiros a reclamarem que o preço da soja, do trigo ou do arroz tiveram um aumento.

E eles serão os últimos a se darem conta do trade-off, como sempre.

Isso se um dia se derem, já que não há trade-off no mundo do almoço grátis.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

E os termos de troca?

Segundo o Banco Mundial os alimentos tiveram uma alta de 15% entre outubro de 2010 e janeiro de 2011.

Me pergunto o que Raul Prebisch e a quadrilha da CEPAL diriam nessas horas... os países "periféricos" deveriam fechar as "poucas" indústrias pra plantar bananas?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Malthus again!

Minha intenção com esse post não é chancelar nenhum tipo de ecochatice, nem achar pertinente que, em um continente onde a população se torna cada vez mais velha, medidas de controle de natalidade via estado sejam tomadas... mas este artigo do Globo.com me chamou atenção, mais pelo tema do que pela postura do assessor do governo britânico.

Sempre estranhei que, ao falar das catástrofes que levarão o planeta Terra à hecatombe final, os malas verdes de plantão só dessem ênfase a aquecimento global, fome na África, derretimento das geleiras e extinção de meia dúzia de espécies de samambaias nepalesas, enquanto que um tema importante como população era deixado de lado. Algumas pulgas ficam pulando atrás da minha orelha: 1) Qual é a população ótima da Terra? 2) Certamente o envelhecimento da população européia é ruim no longo prazo, dado, por exemplo, os problemas ligados à produção; mas, será que, no longo prazo, isso - o envelhecimento e a conseqüente redução populacional - não seria bom?

Não sei, voltaemeia o fantasma de Malthus vem me atormentar. Não consigo afastar a idéia de que há bocas demais. E que a Peste Negra, ao dizimar 1/3 da população européia na Idade Média, nada mais fazia do que trazer o número de habitantes do Velho Continente de volta ao patamar equilíbrio, dado o contexto.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Espiral na terra das pirâmides

O Egito resolveu combater o aumento do preço dos alimentos.
Como? Um subsídio para tornar o pão barato.
O custo? Esse ano 1,7 bilhão de dólares, 1,12% do PIB. Esse mesmo programa prevê gastos de 2,2 bilhões de dólares para 2009, 1,25% da estimativa do PIB.
o déficit orçamentário do governo previsto para 2008 é de 7% do PIB.
Sim, a inflação está em saudáveis dois dígitos, variação de um ano (abril) 12,8%. Inflação prevista para 2008 é de 10,6%.
É um sistema um tanto sem sentido, o subsídio gera inflação, inflação tonar tudo mais caro, mais caro requer mais subsídio, logo mais inflação... e a espiral continua.

Detalhe: a economia egípcia vem crescendo acima de 5% nos últimos anos. O estrago poderia ser muito pior. Claro que logo logo a inflação trava o crescimento.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Culpe os ricos, como sempre

Lula culpa os subsídios europeus e americanos, em parte, pelo aumento dos preços dos alimentos, quer o fim deles agora.
Pra variar Lula fala bobagem. Agora é a pior hora para isso. Não que eu defenda que os subsídios devam existir, apenas acho que agora não é a melhor hora para acabar com eles.
Se os europeus cortassem os subsídios agora a crise seria maior, alguns produtores europeus e americanos sairiam do mercado na próxima colheita, reduzindo a oferta de produtos agrícolas na Europa/EUA. subsídios reduzem o custos dos produtores, logo eles podem produzir mais. Claro que funcionam como um incentivo contrario à produtividade e custam caro ao Estado, é por isso que não gosto deles.
O aumento no preço dos alimentos já é sinalização suficiente para os produtores brasileiros (e do resto do mundo) produzirem mais.
Eu culpo o Estado brasileiro (e outros com o mesmo viés heterodoxo), em parte, pelo aumento dos preços. Se a oferta fosse maior, o preço seria mais baixo. Por que então a oferta não é maior? São várias as razões, vou enumerar algumas que são culpa desse governo muquirana desse país ridículo:
Direitos de propriedade mal definidos, principalmente no campo;
Impostos ridiculamente altos para produção, importação e comercialização;
Estradas em péssimas condições;
Portos ainda piores;
Falta de posição clara
A lista pode ser maior, mas paremos por aqui.
Curtas explicações: a existência de grupos terroristas do tipo MST são prejudiciais à produção, o custo de se "reconstruir" uma fazenda é bastante alto.
Brasileiros pagam impostos sobre tudo! É óbvio que alguns impostos serão repassados para os preços. Além disso, é complicado importar uma máquina, por exemplo, conseguir licenças essas coisas. Volta e meia aparece na mídia alguma história de proprina pra conseguir importar sem pagar impostos.
Estradas e portos em péssimas condições aumentam os custos dos produtores, é obviamente um desperdício de tempo (custo de oportunidade) ter um caminhão parado uma semana na fila do porto, ou ter carga perdida devido ao desabamento de uma ponte em uma estrada, ou demora na entrega devido aos buracos que obrigam os caminhões a trafegar a 20km/h.
Quanto a falta de posição clara, pensava mais na Argentina que no Brasil, mas vale pra cá também. O governo argentino fica num vai-e-vem com a liberação de exportações de trigo, isso afeta as decisões de investimento. A história mostra quem ninguém sabe menos de expectativas que os argentinos.

Ao fim e ao cabo me parece que quem elege Lulas e Kirchners duas vezes merece mesmo é passar fome.