terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

E os termos de troca?

Segundo o Banco Mundial os alimentos tiveram uma alta de 15% entre outubro de 2010 e janeiro de 2011.

Me pergunto o que Raul Prebisch e a quadrilha da CEPAL diriam nessas horas... os países "periféricos" deveriam fechar as "poucas" indústrias pra plantar bananas?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

E se...

...o COPOM assistisse esse vídeo antes da próxima reunião e seguisse o conselho do velho Chris?



Português de Portugal é um tesão.

Não que tenhamos algo a aprender com os social-democratas europeus, fique claro.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Inflação 2011

Eu sempre tenho medo de inflação. Por sinal todo mundo deveria ter medo de inflação. No Brasil, onde tivemos décadas disso, deveria ser paranóia nacional. E quem falar "ah, mas dá pra tolerar inflação até uns 10% pra ter mais crescimento" deveria ser apedrejado por propor esse absurdo e por acreditar nessa teoria ridícula.

O problema é que nem todo mundo é paranóico com inflação e ela está ensaiando uma volta. O IPCA em 2010 ficou em 5,9%, acima da meta de 4,5% (que já é alta) e perto do limite da tolerância, 6,5% ao ano. Para 2011, o cenário não é nada animador, a expectativa para o IPCA que já foi de 4,5% ao ano está em 5,49% e dá sinais de que continuará subindo.

Esse número parece não assustar tanto, mas a situação parece grave por alguns motivos:

1) O Banco Central está criando o péssimo hábito de controlar a inflação para que não supere o topo da banda de tolerância (6,5% ao ano) e não está realmente perseguindo a meta. Banda de tolerância serve pra casos extraordinários, como uma alta excessiva em preços de commodities ou mudanças cambiais que tenham impacto na inflação, isso não está acontecendo, não há desculpa para não perseguir a meta.

2) A última mudança na taxa de juros esteve em linha com o esperado pelo mercado, mas não acabou com as dúvidas sobre a manutenção da política monetária da era Lula. O ideal teria sido um aumento maior dos juros que sinalizasse a devida preocupação com a pressão inflacionária.

3) A ata da última reunião do BC indica que será feita a tentativa de controlar a inflação mais por política fiscal do que por aumentos na taxa de juros. Não me entendam mal, eu adoraria que o governo enxugasse gastos e que não fosse necessário fazer aumentos tão grandes na taxa de juros. Agora, um cenário desses é quase ficção científica no Brasil. A coisa mais responsável a se fazer seria aumentar os juros, controlar a inflação e, se realmente forem feitos os cortes no orçamento, diminuir os juros no futuro. Até porque, inflação abaixo da meta não seria problema nenhum esse ano.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Livros Digitais?

Na Veja dessa semana tem uma reportagem sobre os E-Books no Brasil.
Eu não gosto de livros digitais, prefiro livros de papel.

Muito se fala do fim do livro de papel e coisas do gênero.
Espero que não, mas é possível.

Um argumento comum a favor do livro digital é o preço.
Acho um argumento pouco válido.
Vamos lá: a Veja lista 3 aparelhos. Os preços em Reais: 799; 969; 599.
A revista compara também os preços de 3 livros digitais/papel. 26 contra 38; 33 contra 48; 28 contra 35.
Uma diferença de +- 10 reais por livro.
Um leitor custando 800 "compra" a diferença de 80 livros.
O brasileiro lê em média 1 livro/ano. Ok, façamos a suposição de que quem compra o livro digital leia um pouquinho mais, 10 livros/ano.
O livro digital passa a valer a pena somente 8 anos depois da compra.
Obviamente em 8 anos a tecnologia será outra.

Algumas coisas em livros digitais são interessantes.
Mas tem muito "efeito novidade" em torno disso.

Enfim, não me proponho a fazer previsões.
Mas sigo fiel aos meus livros de papel.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Câmbio III

Nesses momentos de suposta guerra cambial tem muita gente esquecendo teoria econômica.

Os "déficits gêmeos" são interessantes nesses momentos pra mostrar a contradição de muita gente.
Vamos lá:
Y=C+I+G+NX
Y=C+S+T

(Y é o produto da economia, C consumo, I investimento, G gastos do governo, NX exportações líquidas, S poupança e T tributos)

Então C+I+G+NX = C+S+T ou
(S-I) + (T-G) = NX

A idéia é simples, se o governo gasta demais o saldo comercial "piora".

É curioso ver como os que mais apontam dedos na suposta "guerra cambial" são aqueles que mais defendem gasto público pra tentar aquecer a economia.
Se o déficit da balança comercial é tão ruim assim, por que não começar reduzindo os gastos públicos?
Hein Krugman?
Hein Mantega?
Hein Dilma?

Bom, a Dilma se formou na ufrgs, não dá pra esperar que entenda muito de economia, afinal de contas a gente aprende que economia boa é economia fechada.

Enquanto isso nossos parlamentares ganham um bom aumento... a China agradece!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Câmbio II

A China anunciou que vai manter a moeda estável a uma "taxa razoável".

E a moda continua sendo falar em guerra cambial.
Qual é o problema de a China manter a paridade em relação ao dólar?
O país segue na mesma política monetária, a desvalorizão ao longo do ano foi muito pequena.
Cambio fixo não é invenção chinesa e tem suas vantagens e desvantagens.
Pra China é importante por reduzir a incerteza dos investidores, já que o governo não inspira muita confiança.
Acusar a China de manipular o câmbio pra exportar mais é uma tremenda hipocrisia. Primeiro: dificilmente essa é a única razão. Segundo: todos os países que estão reclamando já fizeram coisa muito pior que ter um câmbio fixo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PISA 2009

Tá na mão o material bonitinho que o INEP produziu para enaltecer a performance dos estudantes canarinhos no PISA 2009 (o link leva a um arquivo de PowerPoint,.Pode clicar sem medo, caro leitor!).

Para aqueles que não conhecem, o PISA é um exame tipo o ENEM - só que sem vazamento de provas ou folhas óticas em ordem trocada - aplicado aos países da OCDE e países de fora do grupo que tem interesse em participar.

O material em questão dá especial ênfase ao fato do Brasil estar se superando a cada edição do exame. Presente no exame desde a sua primeira edição, o Brasil, em sua primeira participação, obteve a média 368, o que lhe rendeu o último lugar nas três provas do exame: literatura, matemática e ciência. Desde lá, o desempenho de nossos laboriosos alunos só melhorou: em 2009, atingimos os 401 pontos. Em comparação apenas com o Brasil das edições anteriores, o Brasil de 2009 é só superação, um sucesso. Mas ficar atrás de potências mundiais como Trinidad e Tobago e Jordânia é bem incômodo.

E pensar que, mais três pontos, o Cazaquistão nos passava... Que, aliás, nem estava na primeira edição do teste!

O PISA, a cada nova edição, congrega mais e mais países de fora da OCDE, o que tende a puxar a média para baixo.

Assim, se ambientássemos o pujante Brasil de 2009 - aquele de 401 pontos - no PISA 2000, continuaríamos exatamente na mesma posição de então: último lugar em todas os testes.