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domingo, 3 de agosto de 2008

Tem algo de errado com o IDH

A Noruega apresentou o maior IDH por vários anos consecutivos.
O índice é calculado como uma média entre expectativa de vida, renda per capita e nível educacional.
Acho que o índice representa em boa medida a vida nos países, para fins de comparações entre países.
Mas tem algo de estranho com o índice. Não vou falar sobre o nível ridiculamente alto que o Brasil tem.

É de se imaginar que no país em primeiro lugar só se veja pessoas alegres andando de bicicleta em família, aquela coisa...
A imagem de Oslo é um tanto diferente em vários momentos. Do lado do meu hotel há um ponto de distribuição de seringas e essas coisas. Em muito pouco tempo vi em torno de 15 pessoas batendo na janela do tal estabelecimento. Nas ruas é possível ver algumas pessoas jogadas no chão, atiradas pelos cantos. É um tanto chocante.
A Alemanha ocupa a posição 22 no ranking do IDH. Comparando capitais, em Berlin não se ve gente drogada jogada na rua desde a década de 80. As pessoas atiradas em Berlin geralmente estão bêbadas e não drogadas. E isso não "depende do bairro, tu não viu". Em Oslo é no centro, perto da estação ferroviária, prefeitura, etc. Em Berlin andei por alguns locais não muito recomendáveis nos ótimos tempos que morei lá e raramente se via alguém usando drogas (pesadas, é claro).

Enfim, de algum modo o índice reflete como vive o "cidadão médio". Será?

Acho que tem tantos drogados na Noruega por uma razão: existe uma lei estúpida que proíbe a venda (em supermercados) de bebidas depois das 6 horas da tarde e aos domingos. Agulhas são distribuídas até mais tarde e aos domingos. Incentives matter! Queria tomar um cerveja pra me divertir agora, não consegui comprar. Quem sabe a senhora que dá agulhas ainda esteja aberta...

O super-estado social democrata

Algumas pessoas tentam usar a Noruega ou Suécia como exemplo de social democracia que funciona.
Hoje atravessei a Noruega de carro. As estradas por que andei não tinham pedágio. Uma delas, a tal da 50 (estrada nacional), estava um tanto abandonada, alguns buracos, um tunel completamente escuro, ausência de placas, em alguns trechos tinha espaço para somente um carro, latas de lixo superlotadas. Mas enfim, é possivelmente a estrada mais bonita do mundo (a paisagem, o asfalto é bem parecido com o brasileiro).
Chegando mais perto de Oslo é de se imaginar que o estado benevolente tenha construído belas estradas, que nada!
Não quero dizer que o governo precise vender as estradas (na verdade estou), mas apenas tentando mostrar que a social democracia, mesmo em países com alto nível educacional e bláblábla´, tem problemas!