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sexta-feira, 12 de março de 2010

Hayek e o derrotismo

Certa vez me disseram que esperavam mais de O Caminho da Servidão; que, enquanto baluarte do liberalismo, gerava uma grande expectativa que acabou não se concretizando: se aquela era a melhor defesa que os liberais tinham para as suas idéias, qual seria a pior?

A Ciência Econômica é um apanhado de obviedades minúsculas que, arroladas, conduzem a conclusões nem sempre tão óbvias. Nossa Ciência ganhou o epíteto de lúgubre - eu entendo assim - por tratar de temas mundanos e mesquinhos. Não nos gabamos de pensar no bem, na felicidade e na redenção da civilização humana à moda dos gregos. É natural que, enquanto economistas, guiemos assim nossos pensamentos pois esta é a natureza da nossa Ciência. Somos os arautos da desgraça, os caras que interrompem a festa pra avisar que a cerveja não vai durar a noite toda. Dentro de todas as restrições que nos são impostas, oferecemos as melhores respostas - o que não quer dizer que elas sejam ótimas no sentido grego da coisa.

O que revolta tanto a tantos na obra de Hayek é o balde de água fria que ele atira nos sonhos daqueles que acreditam que é possível dar um jeitinho pra conseguir almoço grátis para todos. Ele não dá uma saída mágica para as "crises". Para tudo, a sua resposta é "deixe o mercado agir". Mas ele não dá garantia nenhuma. Pondera, inclusive, que as soluções via mercado não tem um prazo determinado para "darem certo": elas são lentas.

Àqueles que esperavam fórmulas milagrosas para elevar os homens ao Olimpo, ele oferece um caminho que pode ser lento e cheio de equívocos, mas que, mesmo assim, é o melhor possível. Para Hayek o homem não é capaz de encontrar uma sentença fechada e exata para resolver os "problemas" da economia e "salvar" o mundo; com isso, Hayek zombou dos intelectuais, desdenhou sua capacidade e minou a fúria em seus egos. Garantiu assim o mesmo destino reservado aos portadores das más notícias em um mundo de "sábios" recalcados que vivem de restos e sonham com abundância plena e fácil. Chegar em alguém que se toma por genial e julgar-lhe ser incapaz de resolver determinada questão não é a forma mais indicada para ampliar o leque de amizades.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Passagem do "Caminho da Servidão"

Estou lendo o Caminho da Servião, do Hayek. O livro é brilhante e deixa quem lê extremamente assustado(a pessoa fica ainda mais paranóica com socialismo). Uma passagem brilhante do livro:

"Os príncipios básicos do liberalismo não contém nenhum elemento que o faça um credo estacionário, nenhuma regra fixa e imutável. O princípio fundamental segundo o qual devemos utilizar ao máximo as forças espontâneas da sociedade e recorrer o menos possível à coerção pode ter uma infinita variedade de aplicações."


Vivemos em um período preocupante, onde se culpa o liberalismo pela crise e se defende uma maior participação do Estado na economia. Isso depende de coerção e gera ineficiência, certamente não é uma boa idéia.

O liberalismo não só é o modelo que garante eficiência, é também o único modelo moralmente defensável.